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 Quarta, 29 de Março de 2017
Quatro em cada dez brasileiros que tiveram nome sujo atribuem negativação ao desemprego, mostra SPC.

Cartão de crédito é o motivo da inadimplência de metade daqueles que foram negativados. Para pagar contas, devedores recorrem a acordos com os credores e cortes no orçamento. 45% de quem negociou pagamento parcelado atrasou alguma prestação

 

Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) com consumidores negativados, ou que estiveram nesta situação nos últimos 12 meses, investigou quais são as dívidas em atraso e o que essas pessoas estão fazendo para negociar a dívida e recuperar o crédito. Os dados mostram que quatro em cada dez inadimplentes e ex-inadimplentes (38%) tiveram o nome sujo devido ao desemprego. Outros motivos citados foram diminuição de renda (31%), empréstimo de nome para terceiros (17%) e salário atrasado não pago (10%). O valor médio da dívida de quem está ou esteve com o nome sujo é de 2.918,09 reais, sendo maior entre os homens (3.536,22 reais) e entre as pessoas das classes A e B (3.857,42 reais).

Os entrevistados têm ou tinham, em média, contas em atraso com 2,2 empresas, sendo que 1,9 fizeram registro do nome em listas de inadimplência, a negativação ocorreu em 86% dos casos. Além disso, 27% dos consumidores devem a três ou mais empresas diferentes e 64% ainda estão com nome sujo, sobretudo entre as classes C, D e E (68%).

Segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a atual conjuntura econômica faz com que a dificuldade de honrar com todos os compromissos financeiros seja maior. “O cenário de crise resulta em um grande número de desempregados, e os brasileiros em geral estão com menor poder de compra devido à inflação e às altas taxas de juros”, avalia. “Com isso, o consumidor acaba tendo dificuldade para pagar as contas e fica inadimplente. ”

Entre os que quitaram ou pretendem quitar a dívida, a principal estratégia é recorrer a acordos com os credores (34%), cortes no orçamento (22%) e gerar renda extra por meio de bicos (18%). Os gastos mais citados quando se fala em cortes foram idas a bares ou restaurantes (36%), compras de peças de vestuário ou calçados (34%) e lazer (34%, principalmente entre aqueles com mais de 55 anos, 54%). No entanto, 19% das pessoas não estão economizando para saldar as dívidas. Entre os que possuem mais de uma conta em atraso, a prioridade é quitar conta de cartão de crédito, loja ou crediário para usar o crédito novamente (24%). Foram citadas como prioridade também as contas de menor valor (23%), contas com taxa de juros mais altos (19%) e com o valor final mais alto (18%).

Para José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz, fazer cortes no orçamento é um bom caminho para quem está com o nome sujo. “Quem está endividado deve readequar o orçamento realizando cortes em itens supérfluos para poder negociar as contas em atraso”, afirma. “ Para resolver essas pendências, o indicado é pagar primeiro as dívidas com juros mais altos e, se possível, fazer a portabilidade da dívida para outro banco ou modalidade que tenha taxas menores.

Entre os que pagaram ou pretendem pagar a dívida, 56% acham que é o correto honrar com os compromissos financeiros, 53% não se sentem confortáveis tendo o nome sujo e 30% se preocupam com o valor da dívida depois do pagamento tardio.

 

Cartão de crédito é principal motivo da negativação

O levantamento indica também que o cartão de crédito é o motivo da inadimplência de metade dos entrevistados (50%), principalmente entre as pessoas com 55 anos ou mais, (66%), seguido de crediários, carnês e cartões de loja (26%) e empréstimos (21%).

Além disso, uma quantidade significativa de pessoas não sabe quantas parcelas contratou no momento de realizar a compra, com destaque para dívidas com cartão de crédito (49%), empréstimos (35%) e crediários, carnês ou cartões de loja (35%). Além disso, 41% de pessoas não sabem quantas parcelas deixaram de pagar do cartão de crédito, 38% contrataram empréstimos e também não tem este conhecimento, assim como 31% dos que possuem dívidas com crediários, carnês ou cartões de loja que ignoram o número de parcelas não pagas.

De acordo com José Vignoli, o controle financeiro deve ser um hábito para que o consumidor não fique inadimplente. “Alguns mecanismos de crédito, como o cartão, são utilizados, em muitos casos, sem o devido acompanhamento, de modo que a pessoa fica sem saber ao certo qual valor terá que pagar na fatura e quantas parcelas estão pendentes”, afirma. “Por isso, é importante que todos os gastos feitos sejam anotados para não haver surpresas desagradáveis no final do mês”, completa.

O estudo também mostra que 68% dos entrevistados já vivenciaram alguma consequência por estar com o nome sujo. As mais frequentes são: impossibilidade de fazer um novo cartão de crédito, loja ou crediário (32%), realização de compras exclusivamente à vista (24%) e falta de acesso a produtos bancários (19%). Depois da negativação, 88% admitiram mudar a forma de administrar o orçamento, como controlar todos os gastos (31%), pensar muito antes de fazer alguma compra (27%) e comprar somente diante da possibilidade de fazer o pagamento à vista (23%). Mais da metade dos entrevistados (54%) acham importante estar com o nome limpo em qualquer momento da vida e 45% somente em momentos específicos, como financiamento de casa, carro ou abrir conta em banco.

 

Sete em cada dez tentam negociar as dívidas com o credor; 45% de quem negociou pagamento parcelado atrasou alguma parcela

Segundo a pesquisa, 69% dos entrevistados tomaram alguma atitude quando descobriram que estavam negativados, sendo que procurar o credor (27%), mudar hábitos para conseguir pagar a dívida (24%) e procurar birôs de crédito (15%) foram as principais. Além disso, sete em cada dez (72%) dos que pagaram ou pretendem pagar tentaram negociar a dívida com o credor, tendo feito 2,3 contatos em média.

Entre aqueles que já tentaram pelo menos uma negociação, 69% garantiram ter se preparado antes de debater com o credor, principalmente pesquisando o valor da dívida e juros cobrados (21%). Sete em cada dez (70%) disseram ter feito algum tipo de contraproposta durante a negociação, como ter sugerido valores menores (27%), valores e quantidade de parcelas diferentes (24%) ou somente outro número de parcelas (18%). Após a negociação, 17% conseguiram desconto adicional para o pagamento integral da dívida à vista, sendo que, em média, o desconto obtido foi de 34% do valor. Entre os que não fizeram contrapropostas (30%), 28% já tinham recebido boas condições, 21% não sabiam se era possível propor algo e 11% consideraram perda de tempo pois o credor não iria aceitar. O principal motivo para aceitar a proposta de negociação foi a redução de forma significativa no valor total da dívida (23%), seguido pelo fato da prestação ter um valor acessível (22%).

A modalidade mais comum escolhida entre os que pagaram ou pretendem pagar a dívida é o pagamento à vista (34%), seguido de parcelamento no carnê ou crediário (28%) e parcelamento no cartão de crédito (10%). Entre os que escolheram pagamento parcelado, 45% estão ao menos com uma parcela em atraso, sendo que 55% não sabem com certeza a quantidade de parcelas que devem. Entre os que sabem, a média é de quase 4. Os principais motivos interrupções dos pagamentos são: desemprego (27%), diminuição de renda (25%) e falta de dinheiro devido à falta de planejamento no orçamento (17%).

Segundo a economista do SPC Brasil, o consumidor deve estar sempre preparado para negociar melhores condições. “Quem conhece a própria realidade financeira e contas em atraso, e está informado sobre condições e taxas de juros tem mais chances de sucesso na negociação”, orienta. Além disso, é preciso analisar a proposta com calma e fazer uma contraproposta, se necessário. “Quem busca o credor para renegociar está mostrando que deseja resolver o problema. Portanto, credor e devedor devem encontrar valores e prazos vantajosos para que o problema não se repita”, completa.

 

Maioria negocia pelo telefone, mas meios digitais já são utilizados

A pesquisa também investigou os meios que o consumidor utiliza na hora da negociação, e o mencionado pela maioria foi a conversa por telefone (71%), seguida de conversa com o credor na loja ou empresa (26%), e-mail (15%), site da empresa credora (8%) ou especializado em negociação de dívidas (5%).

Os que consumidores que optaram negociar por meio de sites mencionaram que a escolha dessa modalidade ocorreu devido à comodidade – possiblidade de negociar sem sair de casa (33%), possibilidade de simular condições que se adequam à realidade do devedor (28%) e rapidez, considerando que o atendimento pelos meios mais tradicionais nem sempre é eficiente (28%).

Por outro lado, as desvantagens destacadas são: falta de flexibilidade para contrapropostas em relação ao atendimento pessoal (39%), insegurança, por não saber se o site é confiável (33%) e impossibilidade de negociar dívidas de algumas empresas, já que nem todas estão disponíveis neste tipo de site (32%).

 

Metodologia

A pesquisa entrevistou 602 consumidores residentes em todas as regiões brasileiras, com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais, atuais inadimplentes ou ex-inadimplentes há no máximo 12 meses. A margem de erro é de 3,99 pontos percentuais para uma confiança de 95%.